Currículo Vitae

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Poeta evadido e obstinado

Impetuoso e desassossegado

Poeta de quase tudo demisso

– Mas acima de tudo insubmisso

dinismoura

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Lisboa



A Luciana

Lisboa, cidade do fulgente brancor dourado,
Benditos sejam os teus ébrios mármores e azulejos baptizados de luz,
Assim como as laranjas maduras que flutuam nos teus telhados
Bendito seja o sol festivo, efusivo e inundante que desfila nas tuas veias
Bendito seja esse teu oloroso e embevecente perfume
Que usas desde o tempo em que eras capital de um império
Bendita seja essa guitarra cantadeira de fados que trazes ao peito
Benditos sejam esses amanheceres de oiro que dependurados no seu grasnar
As gaivotas trazem do coração do mar
Benditos sejam os jacarandás e as buganvílias que ornam tua gracilidade,
Assim como as tuas rendilhadas calçadas, onde descalça adoras dançar
Lisboa, cais de todas as saudades,
Benditas sejam as tuas praças, largos, avenidas, ruas e ruelas,
Onde com esse teu jeito de moçoila de formas fartas,
 Grácil, solene e pavonesca passeias,
E pelos passeantes te deixas cortejar, bajular e seduzir
Benditos sejam os teus miradoiros,
Deleitosos camarotes onde a tua nudez concedes contemplar
Bendito seja o teu amante Tejo, eterno amante,
 Amante fiel, amante amorável e sempre disponível
Benditos sejam os beijos constantes e apaixonados que trocais
 E a volúpia inflamada com que vos abraçais
Lisboa, sereia cujo canto e encanto encantou Ulisses,
Bendita sejas porque namoras e fazes amor com todos aqueles que te amam e desejam
Bendita sejas porque és o templo onde a luz vem cantar-se, festejar-se, sacralizar-se

Ó Lisboa, ó manancial da claridade,
Bendita sejas porque a inspiração dos poetas atiças vivamente
E do coração ao pensamento lhes suscitas poemas.

 dinismoura

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